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Melhores Momentos de Cordel Encantado

Relembre as passagens emocionantes do conto de fadas sertanejo


















 

Felipe descobre que Açucena é a princesa Aurora e se encanta ainda mais com a jovem. O príncipe rouba um beijo da serteneja bem na hora que Jesuíno aparece e o clima esquenta entre os dois rivais.











  

Completamente apaixonado pela cozinheira Cesária, o Rei Augusto a convida para um piquenique. Em um momento romântico, os dois se beijam e dão inicio a um lindo amor.












A duquesa Úrsula e o cangaceiro Herculano viveram um romance quente e cheio de idas e vindas ao longo da trama.     











Encantada com Jesuíno, Doralice beija Jesuíno pela primeira vez, dando inicio a um triângulo amoroso que ia render muitas emoções.











O príncipe Felipe descobre que Dora se disfarça para participar do bando de Jesuíno e os dois começam a discutir. No meio da briga, o casal não resiste e se beijam.











Após aceitar a sua condição na nobreza de Seráfia, Açucena tem aulas de etiqueta para aprender a se portar como uma verdadeira princesa.











 

O Rei Augusta chama toda a imprensa de Seráfia para apresentar Açucena como a princesa Aurora, herdeira do trono. Assustada com os flashes, a sertaneja acaba fugindo, deixando seu pai envergonhado.









   

Jesuíno aparece em Seráfia e intorrompe o casamento de Açucena e Felipe bem na hora do "sim"! Abalada ao ver o seu amado, a princesa desiste da cerimônia.        










  

Depois de 20 anos preso dentro de uma máscara de ferro, Petrus é libertado por Florinda e Zenóbio, revelando uma péssima aparência!










O bando de Herculano é cercado pela polícia de Brogodó e, no meio da confusão, Jesuíno chama o cangaceiro de "pai" pela primeira vez. Emocionado, Herculano nem liga quando é levado para o xadrez.










 Após invadir o Palácio do Governo, Timóteo anuncia ao povo que é o novo Rei de Seráfia e que se casará com Açucena.









Após capturar Timóteo, o cangaceiro Herculano zomba do vilão e o prende dentro de uma gaiola.











 

Jesuíno é mandado para a forca a mando de Timóteo, mas um plano audacioso do bando de Herculano consegue livrar o jovem da execução.










  

Acreditando que sua amada está morta, Jesuíno dá um último beijo em Açucena. Em uma cena romântica, a princesa abre os olhos e "ressuscita" logo depois.









     











Dora se disfarçou de cangaceiro para ficar mais próxima de Jesuíno. A corajosa filha do prefeito usou o codinome Fubá para que seu amado deixasse ela entrar no bando.









Enciumada com a aproximação de Dora e Jesuíno, Açucena também resolveu se disfarçar de homem para entrar no bando de cangaceiros. A bela passou a usar o nome Cocada.










Cícero e Felipe se passaram por policiais para salvar Açucena.









   

Para ajudar no resgate de Açucena, Dora também precisou se disfarçar de policial.









 

Para salvar a vida de Jesuíno, Herculano, Benvinda e Belarmino se passaram por monges.










  

 Zóio-Furado e Belarmino deixaram de lado as roupas de cangaceiros e usaram disfarces para não serem reconhecidos.









Açucena teve que sofrer uma grande mudança depois que descobriu que era, na verdade, Aurora, a princesa perdida do reino de Seráfia. A sertaneja passou a usar longos vestidos rendados e joias delicadas.











 

Ao entrar para o cangaço Cícero passou a usar roupas semelhantes às de seu bando.







 

Inácio resolveu deixar o luxo da corte de Seráfia para viver com simplicidade em Vila da Cruz.











 

De humilde cozinheira à futura rainha de Seráfia: a mudança de Maria Cesária foi radical!










A descoberta das traições de Farid foi o incentivo necessário para a mudança de Neusa, que abandonou de vez o visual recatado e usar roupas mais ousadas.              


           
        

Cordel Encantado

Cordel Encantado()
Por WALLACE CARVALHO
RIO DE JANEIRO - Há tempos não se via uma novela como “Cordel Encantado”. Onde o amor dos protagonistas fosse soberano, onde o público ficasse aos pés do herói, odiasse os vilões e se apaixonasse pela mocinha convencional, sonhadora e inocente. A fábula da princesa perdida criada no sertão brasileiro conquistou os telespectadores e elevou a audiência no horário das 18 horas.
Sucesso também de crítica, a trama escrita por Duca Rachid e Thelma Guedes contou com um elenco coeso, repleto de excelentes atuações e boas surpresas. Todo mundo brilhou na fictícia Brogodó, todos os atores tiveram seu grande momento no folhetim, independente do tamanho do seu papel.
O sucesso de “Cordel” se deve a uma fórmula simples que parecia esquecida no campo da teledramaturgia global: elenco escolhido a dedo, ótimo texto, direção excepcional e padrão de cinema. Os diretores Ricardo Waddignton e Amora Mautner souberam exatamente como tirar do papel o projeto ousado que fazia uma ligação improvável entre um reino europeu e uma cidade nordestina.
Coerente e fantástica, a trama despertou em quem estava do outro lado da telinha sentimentos genuínos por personagens tão puros, tão nobres, tão reais. “Cordel” mostrou que a audiência não faz questão da malícia, que os bons ainda têm vez e que sempre haverá público para uma boa novela. E que quanto mais “novelão” ela for, melhor. É uma pena que a gente tenha que se despedir de Jesuíno (Cauã Reymond) e Açucena (Bianca Bin).
Por conta disso, o Famosidades montou uma lista com os pontos altos e baixos dessa turma que com certeza vai deixar saudades. Confira!




Cordel Encantado - 2 (Divulgação TV Globo)
Cauã Reymond e Bianca Bin. Ou Jesuíno e Açucena - porque para nós ela nunca será Aurora. O casal mostrou uma química incrível e a pureza do amor dos personagens fez com que o telespectador torcesse por eles do primeiro ao último capítulo. A diretora Amora Mautner tinha razão quando disse que a história só valeria a pena ser contada se o namorado de Grazi Massafera vivesse o herói do folhetim. Bianca não ficou por baixo e fez um trabalho impressionante como a princesa perdida criada no sertão brasileiro. Alguém aí consegue imaginar Paola Oliveira como a doce Açucena?









Cordel Encantado - 3 (Divulgação TV Globo)
Bruno Gagliasso é sem dúvida um dos melhores atores de sua geração. É incrível a capacidade que ele tem de se reinventar diante dos nossos olhos. Quando assumiu o papel de Timóteo Cabral, Gagliasso tinha acabado de se despedir do Berillo, de “Passione”, que roubou a cena no folhetim de Sílvio de Abreu. Em “Cordel”, o bonitão despertou a ira de todos que torciam por um final feliz entre Jesuíno e Acuçena. O ator soube traçar, sem sair do caminho, a paixão do coronel pela sertaneja que se tornou uma obsessão que o deixou a beira da loucura. Mais um personagem inesquecível para a galeria do marido de Giovanna Ewbank.









Cordel Encantado - 4 (Divulgação TV Globo)
Nunca houve um rei tão justo como o Rei Augusto de Seráfia (Carmo Dalla Vecchia). A paixão do nobre pela doce Maria Cesária (Lucy Ramos) foi outro ponto alto da trama. A empregada da sede do Palácio do Governo, que conseguia colocar seus sentimentos na comida, deixou muita gente com água na boca com sua habilidade na cozinha. A relação entre os personagens e a transformação da sertaneja em rainha empolgou os telespectadores.









Cordel Encantado - 5 (Divulgação TV Globo)
Muito antes da novela começar, o reencontro de Débora Bloch e Luis Fernando Guimarães já empolgava o público. A atriz deu um show de maldade como a Duquesa Úrsula em um dos seus melhores trabalhos na TV na última década. Já Guimarães, que estava há dez anos sem fazer novela, demorou a se livrar dos personagens dos seus seriados de sexta à noite e incorporar o mordomo Nicolau. Mas, após o segundo mês na pele do amante de Úrsula, o ator encontrou o tom do seu papel e nos presenteou com momentos impagáveis ao lado de Débora.









Cordel Encantado - 6 (Divulgação TV Globo)
Marcos Caruso e Zezé Polessa foram responsáveis pelos momentos mais hilários da trama. A dupla roubou a cena como os atrapalhados Patácio e Ternurinha. O prefeito e a primeira-dama de Brogodó mostravam-se impagáveis na hora de reverenciar a realeza de Seráfia.









Cordel Encantado - 7 (Divulgação TV Globo)
“Cordel” revelou um novo galã na faixa dos 40 anos. Em seu primeiro papel expressivo na TV, Domingos Montagner fez muita dona de casa desejar passar uns dias no cangaço só para pode ficar ao lado do temido Capitão Herculano. Aquele que era considerado o cangaceiro mais temido do sertão mostrou que na verdade não fazia mal a uma mosca. Por conta do sucesso do personagem, Montagner sai da trama direto para o seriado “Brado Retumbante”. Além disso, ele está cotado para a próxima novela das 21 horas.











Cordel Encantado - 8 (Divulgação TV Globo)
A história de Farid (Mouhamed Harfouch) e suas três mulheres também divertiu o público de casa. Heloísa Périssé brilhou em mais um papel cômico e Andreia Horta viu sua personagem crescer ao longo da trama. Paula Burlamaqui completou o trio de beldades do turco - ops, libanês!










Cordel Encantado - 9 (Divulgação TV Globo)
Mas, os melhores momentos da jornalista Penélope foram ao lado do cangaceiro Berlamino. João Miguel foi outro nome pelo qual Amora fez questão que estivesse no elenco do folhetim. O ator interpretou diversos personagens por conta dos disfarces de Bel, mas foi ao lado de sua “branquinha” que o cangaceiro viveu seu ápice na história.








Cordel Encantado - 10 (Divulgação TV Globo)
O núcleo infantil da produção também roubou a cena. Destaque para João Fernandes, como o travesso Nidinho, que sempre tinha uma resposta na ponta da língua. Sua busca pela verdadeira identidade do pai fez com que o espaço dos atores mirins no folhetim aumentasse ainda mais.










Cordel Encantado - 11 (Divulgação TV Globo)
Se teve alguém que correu atrás de um papel na trama foi Nathalia Dill. A atriz pediu para fazer um teste para viver Doralice e convenceu os diretores de que poderia sim viver a advogada que se travestia de sertanejo para lutar ao lado de seu grande amor. Isso sem falar que nunca uma antagonista travou uma luta tão limpa para conquistar o coração do mocinho.









Cordel Encantado - 12 (Divulgação TV Globo)
Osmar Prado deu um show como corrupto delegado Batoré que por amor a Antônia (Luiza Valdetaro) se tornou um homem de bem. As cenas em que o policial ensina a esposa a ler foram emocionantes. A dedicação, o carinho e o respeito com que ele tratou a jovem após o casamento fez com que o público o enxergasse com outros olhos.









Cordel Encantado - 13 (Cordel Encantado)
Luana Martau se destacou como Lady Carlota, a filha da duquesa que ao descobrir que a mãe quase matou seu pai e se decepcionar com Timóteo, deixa de ser uma menina fútil e mimada e se transforma em uma mulher justa e empenhada a ajudar o próximo. Já Mauricio Destri viu seu personagem, Príncipe Inácio, abrir mão de seu lugar na realeza e do grande amor de sua vida para ajudar os necessitados. Já Flávia Rubim conquistou seu espaço como a simpática Filó, empregada de Neusa e Batoré, que estava sempre disposta a ajudar os amigos.









Cordel Encantado - 14 (Divulgação TV Globo)
Reginaldo Faria, Alinne Moraes e Thiago Lacerda ficaram pouco tempo na trama. Os dois últimos apenas no primeiro capítulo, mas Coronel Januário Cabral, Rainha Cristinha e Rei Teobaldo foram lembrados pelos personagens durante toda a trama.










Cordel Encantado - 15 (Divulgação TV Globo)
Quase tudo correu perfeito na trama escrita por Duca Rachid e Thelma Guedes. A alternância de poder entre Timóteo e a turma de Jesuíno deu uma cansada na reta final da novela. Dia sim, dia não, o coronelzinho era preso pelos amigos do filho de capitão Herculano. Só que sempre conseguia fugir e retomar o posto de rei.









Cordel Encantado - 16 (Divulgação TV Globo)
As imagens de Seráfia do Norte no primeiro capítulo, gravadas na França, impressionaram o público. E todos ficaram esperando pelo momento de rever o elenco de volta ao fictício reino europeu. O pulinho que Rei Augusto deu com Aurora em sua terra natal não matou a vontade do telespectador mais atento que percebeu que as cenas improvisadas não foram gravadas na Europa. Devido ao sucesso da novela, a direção da emissora deveria ter feito um esforço para presentear a audiência.









Cordel Encantado - 17 (Divulgação TV Globo)
Marcelo Novaes fez o que pode com o Quiquiqui, mas o personagem era muito limitado e acabou deixando ator escondido no meio de tantas feras. As tramas do amigo de Jesuíno não se desenvolveram e, com o decorrer da novela, Marcelo foi perdendo espaço. Uma pena!







Cordel Encantado - 18 (Divulgação TV Globo)
Isabelle Drummond foi outro grande talento desperdiçado. Rosa não passou de uma menina que levava recado de um núcleo ao outro e ajudou a interligar as tramas.

O 7 de Setembro

Ah, que bom o feriado não é mesmo? Mas o 7 de setembro não é só um feriado. No dia 7 de setembro de 1822 o Brasil se tornou indenpendente com o grito de Dom Pedro I.
Saiba um pouco mais sobre esse dia tão histórico para o Brasil.


INDEPENDÊNCIA NÃO É SÓ GRITO
Quem acha que a independência foi só o famoso grito "Independência ou Morte!" de Dom Pedro I às margens do Ipiranga? Pois não foi, não. Durante nossa história tivemos muitas lutas pela independência, todas reprimidas pelo governo português.

As mais famosas foram a Inconfidência Mineira, em Minas Gerais, no ano de 1789 _ aquela que acabou levando Tiradentes à forca; a Conjuração Baiana, também conhecida como Revolta dos Alfaiates, na Bahia, quase dez anos depois, em 1798; e a Revolução Pernambucana, em 1817 (quase 20 anos depois da revolução baiana!) E o grito de d. Pedro só foi acontecer no dia 7 de setembro de 1822, cinco anos mais tarde.

Aqui você vai saber tudo sobre a Independência do Brasil! Vamos lá? Pra começar, fique sabendo que o Brasil era a galinha dos ovos de ouro de Portugal...







POR QUE TANTA LUTA?
Não é muito fácil responder a essa pergunta...

Depois do descobrimento do Brasil, em 1500, nosso país tornou-se colônia de Portugal. Como colônia, tinha de respeitar um trato chamado "pacto colonial", que sempre foi o grande motivo dos conflitos. Esse pacto dizia que a colônia devia obedecer à metrópole em tudo, sem reclamar.
O Brasil era uma espécie de galinha dos ovos de ouro de Portugal, a quem tinha de fornecer riquezas e mais riquezas, mesmo à custa de muito sacrifício. Além disso, não podia fazer nada por conta própria, como leis, escolher governantes ou vender mercadorias para outros países. Não podia tomar nenhum tipo de decisão!
Nessa época, a maioria dos países europeus tinham suas colônias no "Novo Mundo" (a América) e na África. É o que a gente conhece como imperialismo. E todos os países que conquistavam colônias tratavam logo de pôr em prática o tal pacto colonial.
Então, no final do século 18, muitas revoluções começaram a pipocar. Diversas colônias se revoltaram contra o pacto colonial para poder andar com suas próprias pernas. Foi quando aconteceu a independência dos Estados Unidos, e a de muitos países da América Espanhola, como o México. Corriam as idéias da Revolução Francesa pelo mundo, que inspiravam a liberdade.
A Revolução Francesa queria "liberdade, igualdade e fraternidade". Ela foi muito importante porque, pela primeira vez na história, o povo conseguiu derrubar o rei para colocar quem ele escolhesse no governo. E acabaram escolhendo um baixinho muito danado chamado Napoleão Bonaparte...
É aqui que começa nossa história: com um cabo de guerra entre França e Inglaterra






O CABO DE GUERRA
Napoleão Bonaparte, imperador da França, tornou-se um temido conquistador e dominou muitas terras na Europa. Só que a bronca de Napoleão era com a Inglaterra, um dos países mais ricos e poderosos do mundo na época.

 
Napoleão queria que a França fosse a mais rica e poderosa (coisas de imperador). E por isso decretou o bloqueio comercial à Inglaterra: ninguém poderia vender nem comprar nenhum produto inglês. Se algum país se atrevesse, Napoleão o invadiria e pronto _ babau país!
Portugal ficou numa enrascada daquelas: devia muito dinheiro à Inglaterra, por isso não podia simplesmente virar-lhe as costas. Mas ao mesmo tempo tinha muito medo de Napoleão _ quem não tinha? Por isso ficou em cima do muro enquanto foi possível. A Inglaterra puxando de um lado e a França, do outro. Até que Napoleão se encheu desse chove-não-molha e invadiu Portugal. Era o começo do século 19 e o ano era 1807.

Aí começa outra história: a de uma família fujona e piolhenta!




A FAMÍLIA FUJONA (E PIOLHENTA)

Foi um Deus-nos-acuda! D. João, que reinava na época, sabia que Portugal não tinha cacife para lutar contra Napoleão. E sabia que sua cabeça estava a prêmio. Por isso, decidiu fugir _ rapidinho! E... adivinhe para onde? Para o Brasil, lógico, bem longe mesmo das terríveis garras napoleônicas!

O embarque não foi fácil. Todos estavam apavorados. Entre 10 e 15 mil pessoas embarcaram em navios rumo ao Brasil, bem protegidos pela frota inglesa. D. João tinha decidido transferir a Corte para o Brasil, e por isso trouxe tudo: seus ministros, conselheiros, juízes da Corte Suprema, funcionários do Tesouro Real (e o próprio tesouro real, que ele não ia deixar para Napoleão), funcionários do Exército e da Marinha (ainda não existia a Aeronáutica porque Santos Dumont não tinha inventado o avião), além de muitos padres e bispos. D. João trouxe também várias bibliotecas, o arquivo do governo e uma máquina impressora.
A viagem também não foi moleza, com direito a tempestade, falta de comida e higiene, e até ataque de piolhos _ todo mundo foi obrigado a raspar a cabeça! Mas, apesar de todos os apuros, em janeiro de 1808, chegava a Família Real ao Rio de Janeiro.
Encontraram um Brasil "bebê", que estava ainda engatinhando...






O BRASIL ENGATINHAVA...
Chegando ao Brasil, d. João declarou guerra à França. E abriu os portos brasileiros às "nações amigas" _ que, no caso, era só a grande parceira Inglaterra. E ela ficou feliz da vida: agora podia comercializar livremente com o Brasil e ganhar muito dinheiro. Os ingleses vendiam produtos manufaturados (industrializados) para o Brasil por um preço bem alto e compravam matéria-prima (algodão, metais, comida) bem baratinho. Um negócio da China!
Em 1815, Napoleão foi derrotado e o Brasil, elevado à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves. Isso o tirou da situação de colônia, e para a Corte não ficou tão chato _ agora eles viviam num reino e não numa colônia.

Agora o Brasil estava bem mais perto da independência. Pelo menos tinha deixado de ser colônia, e a Família Real morava aqui, e não em Portugal.

Aliás, Portugal não ficou nem um pouco contente com isso... Sabe por quê?





PORTUGAL FICA COM HUMOR PÉSSIMO
Não era para menos: de uma hora para outra, Portugal se viu ao deus-dará, sem rei, no meio de uma guerra, e pior _ sem poder contar com sua galinha dos ovos de ouro! Enquanto o Brasil prosperava (d. João criou bibliotecas, teatros, ruas, órgãos públicos e o Jardim Botânico), Portugal ficava cada vez mais pobre. Era quase como se agora Portugal fosse colônia do Brasil.
E estourou a Revolução do Porto, em 1820. Essa revolução organizou um governo que elaborou a primeira Constituição (conjunto de leis) de Portugal, elegeu as Cortes (Assembléia e Parlamento) e exigiu o retorno de d. João VI.
A Revolução entusiasmou os brasileiros e também os portugueses que viviam por aqui. Eles achavam que as coisas estavam começando a mudar e que as idéias da revolução estavam "na moda". Por isso, trataram logo de escolher quem representaria o Brasil por lá, e fizeram d. João VI jurar que cumpriria a Constituição que eles estavam criando.
D.João teve que picar a mula e voltar para Portugal, mas deixou seu filho Pedro cuidando de tudo.






... MAS FICAM OS DEDOS!
D. João VI se apressou em voltar a Portugal, mesmo sabendo que agora iria ter de dividir o poder com as Cortes. Que remédio? Deixou seu filho d. Pedro cuidando do Brasil. Estamos em abril de 1821. A apenas um ano da independência!
Conta a lenda que, pouco antes de embarcar, d. João disse a d. Pedro: "Pedro, se o Brasil se separar de Portugal, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros."
D. João queria, portanto, que fosse d. Pedro a proclamar a independência, e não alguém do povo, para que eles não perdessem o controle da situação. E assim foi. A regência do pequeno Pedro não durou nem um ano e meio.
Logo os brasileiros perceberam que a tal Revolução do Porto era como lobo em pele de carneiro...




A REVOLUÇÃO QUE ERA LOBO EM PELE DE CARNEIRO
Rapidinho os brasileiros perceberam que a Revolução do Porto tinha enganado a todos : era muito legal para Portugal, com idéias revolucionárias e tudo o mais, mas era extremamente conservadora para o Brasil. As Cortes começaram a querer recolonizar o Brasil e acabar com essa história de Reino Unido.

Para isso, enviaram tropas ao Rio de Janeiro, a capital na época, acabaram com vários órgãos políticos que d. João VI havia criado e nomearam governadores para nossas províncias (ainda não havia estados). Além disso, já bolavam uma forma de reatar o pacto colonial e acabar com a festa da abertura dos portos.
Todos ficaram muito bravos com essas medidas-caranguejo (que andam para trás), mas d. Pedro continuava bem quietinho no seu canto.
Logo a oposição brasileira à Portugal começou a se organizar para impedir a recolonização. Mas ainda ninguém falava em independência. O Brasil se dividiu em dois grandes grupos: a "facção portuguesa", que estava de acordo com a recolonização, e o "partido brasileiro", que não queria isso de jeito nenhum.

As duas estavam sempre brigando e tentando ganhar as graças do Príncipe, que se divertia com tanta bajulação (era um príncipe muito vaidoso). Por tudo isso, as Cortes ficaram preocupadas e mandaram uma carta exigindo expressamente a volta de d. Pedro a Portugal, com a desculpa de que ele tinha de acabar seus estudos lá na Europa.

E quem disse que D. Pedro caiu nessa? Foi quando aconteceu o famoso Dia do Fico!







SE É PARA O BEM DE TODOS...
Claro que o "partido brasileiro" fez o possível e o impossível para que d. Pedro não fosse embora. Em poucos dias, recolheu 8 mil assinaturas implorando a d. Pedro que ficasse. Ele deve ter se sentido nas nuvens e disse a famosa frase: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico." Por isso esse dia é conhecido como "Dia do Fico". Era o dia 9 de janeiro de 1822. Estamos a seis meses da independência.
A partir daí, d. Pedro "pulou de cima do muro" e se posicionou a favor da ruptura com Portugal. O processo para a independência começou a rodar em altíssima velocidade. Os portugueses que se revoltaram aqui no Brasil contra a decisão foram reprimidos. D. Pedro também determinou que nenhum decreto que as Cortes inventassem lá em Portugal teria sentido aqui, a não ser que ele próprio o assinasse com um "Cumpra-se".

Portugal ficou furioso e mandou tropas para cá, que o imperador logo tratou de despachar de volta. Além disso, d. Pedro formou um novo ministério, que tinha brasileiros e portugueses, mas a chefia era de um brasileiro: José Bonifácio de Andrada e Silva. E tratou de convocar uma Assembléia Constituinte, para elaborar uma Constituição para o Brasil _ que só foi se reunir um ano depois.

Mas os ventos da independência já estavam soprando...







FINALMENTE!
No dia 14 de agosto de 1822, d. Pedro viajou para São Paulo para resolver um problema político. Deixou que d. Leopoldina, sua mulher, ficasse no poder durante sua ausência. Quando as coisas já tinham se acalmado e ele seguia para Santos, chegaram ao Rio de Janeiro ordens das Cortes: d. Pedro deveria voltar para Portugal naquele instante, José Bonifácio deveria ser julgado, e um novo ministério seria criado para colocar ordem naquela "bagunça". Tudo isso destruía todas as medidas de d. Pedro!
D. Leopoldina e José Bonifácio mandaram seus mensageiros correrem com essas notícias. Um mensageiro encontrou-se com d. Pedro às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo. Era a tarde do dia 7 de setembro de 1822.
Existem pelo menos seis versões dessa história, por isso ela já foi contada de diversas maneiras... Uma delas, a do padre Belchior, conta que d. Pedro leu os decretos e perguntou:
_ E agora, padre?
O padre aconselhou d. Pedro a proclamar a independência do Brasil. Senão, ele seria feito prisioneiro das Cortes. Não tinha jeito!
Trinta e oito pessoas assistiram à cena: d. Pedro desembainhou (tirou) a espada, ergueu-a para o alto e gritou:

INDEPENDÊNCIA OU MORTE!

Ei, espere aí! Essa história não acaba aqui, não!











INDEPENDÊNCIA E MORTE
Mas a história não acaba aqui. Teve independência e teve morte também. Não foi uma coisa pacífica, como muita gente acha.
Claro que a independência só aconteceu mesmo quando as classes dominantes (que tinham dinheiro) do Brasil tiveram certeza de que iriam continuar a ter escravos e latifúndios (grandes fazendas), e que eles continuariam a ter voz e vez. Por isso foi tão importante D. Pedro ter proclamado a independência, e não um "aventureiro".
Por isso, o Brasil foi praticamente o único país da América Latina a continuar com a monarquia (ou seja, com um rei no governo. E, no nosso caso, um imperador). Todos os outros logo proclamaram a República. O Brasil continuou igualzinho a antes.
Houve muitas lutas. Em toda a América o processo de independência aconteceu com muitas guerras sangrentas e mudanças profundas nas ex-colônias.
Aqui também houve guerra, no Norte, Nordeste e Sul do país.










.. DE VERDADE
A Guerra da Independência começou em 1822 e durou um ano. O pessoal das regiões Norte, Nordeste e Extremo Sul não estava feliz com a independência e queria que o Brasil continuasse a ser colônia.

Eram grandes proprietários de terra e queriam o pacto colonial de volta. Por isso, iniciaram o conflito, com a ajuda e bênção de Portugal.
D. Pedro I contratou às pressas soldados e oficiais estrangeiros para lutar contra os revoltosos. Com dinheiro emprestado da Inglaterra, que devia estar superfeliz com essa história de independência _ estava lucrando horrores!
Mas nada mudou de verdade...

Essa guerra mobilizou mais soldados do que qualquer outra do mesmo tipo na América, inclusive a Revolução Americana. Para enfrentar as tropas portuguesas na Bahia, foram reunidos 13 mil homens!
Mas a Guerra da Independência do Brasil não significou nenhuma grande mudança. Nem na economia, nem na sociedade. Apesar de muitos negros e índios terem participado dos combates, o escravismo continuou e a destruição das tribos também.

Os latifundiários (grandes proprietários de terras) continuaram dominando a cena, tanto na política quanto na economia. E a gente continuou a ser governado por um rei (imperador) português, filho do rei de Portugal: d. Pedro I, o primeiro imperador do Brasil.





E AINDA TIVEMOS DE PAGAR PELA "INDEPENDÊNCIA"!
Quando um território se torna independente, os outros países devem reconhecê-lo _ se não, a independência não vale de muita coisa. O primeiro país a reconhecer o Império Brasileiro foram os Estados Unidos, um ano depois da Guerra da Independência, em 1824.

Depois foi a vez do México, em 1825. Já os países europeus tornaram-se um calo no pé do Brasil: cada um queria obter mais vantagens que o outro para reconhecer nossa independência, além de fazer mil exigências. Tanto que esse processo durou onze anos!
O caso mais complicado foi a Inglaterra. Ela não queria ficar mal com Portugal, mas lhe interessava muitíssimo que o Brasil se tornasse independente _ por causa dos negócios. Como não é boba, logo achou uma solução: fez com que d. Pedro I (que estava em dívida com ela por causa da guerra, lembra?) pagasse uma indenização de 2 mil libras esterlinas (dinheiro pra chuchu!) a Portugal, como "indenização".


Indenização é o que se deve pagar quando se prejudica alguém. Pois é: mesmo sem fazer nada de errado, apenas buscando a independência como era nosso direito, tivemos de pagar esse dinheirão a Portugal! Fomos talvez o único país a pagar pela independência. Tudo porque nosso imperador era português. Pior: quem nos emprestou dinheiro de novo foi a Inglaterra _ sempre ela... E para que d. João VI não se sentisse ofendido, deram-lhe o título de imperador honorário do Brasil! Será que, nessa época, nos tornamos realmente independentes?
Sim ou Não? Vamos descobrir?










O PRIMEIRO REINADO DO BRASIL LIVRE. LIVRE?
Depois da Independência, em 1822, pouca coisa mudou para o Brasil: um imperador português, o d. Pedro I, continuava a nos governar. A escravidão permaneceu, assim como dívidas que não acabavam mais, porque o Brasil vendia muito pouco para fora e comprava demais. Até para ter coisas do dia-a-dia, como sabão e tecido, precisávamos mandar buscar lá fora, em outros países. E o que é pior: continuávamos dependendo da Inglaterra para tudo, porque era ela quem fabricava a maioria dos produtos que a gente consumia...

Independência? Parece que, no comecinho dessa nossa história, éramos livres só da boca para fora. Em vez de ser a galinha dos ovos de ouro de Portugal, o Brasil passou a ser a galinha dos ovos de ouro dos outros países... principalmente da Inglaterra. A galinha só mudou de dono...



MORRE D. JOÃO VI
Claro que ninguém estava feliz com essa situação, e toda a culpa acabava caindo sobre o nosso novo imperador. A coisa piorou quando morreu d. João VI, o pai de d. Pedro I.
D. Pedro se viu numa sinuca daquelas! De um lado ele tinha o Brasil para governar; de outro, deveria assumir o trono em Portugal. Parece que a ameaça de uma nova colonização estava no ar...

Para complicar, d. Pedro causou a falência do Banco do Brasil. E ficou cada vez mais do lado do "partido português", que era quase todo formado de portugueses, e cada vez menos do lado dos liberais e nacionalistas brasileiros. Acabou cavando um verdadeiro abismo entre ele e o povo brasileiro.

Não deu outra: D. Pedro teve que dar adeus ao Brasil... e assim começaa o Período Regencial.